Sem palco há 1 ano, músicos goianos buscam novos trabalhos na pandemia

A classe artística foi, sem sombra de dúvidas, uma das mais afetadas pela pandemia do novo coronavírus. Há pouco mais de um ano, cantores, músicos e todas as profissões que envolvem a cadeia produtiva de eventos, viram suas agendas serem canceladas, os trabalhos sem perspectiva de retomada e uma crise financeira ainda sem precedentes na era contemporânea. O momento evidenciou uma situação comum entre esses profissionais:  a informalidade e falta de organização financeira. 

 

Exemplo de quem teve que abandonar completamente os palcos foi o músico Flávio Hiram, que teve os shows de seu projeto musical Samba na Conversa impedidos de acontecer, e sentiu na pele essa realidade.  “Estava indo tudo muito bem. Muitos shows com banda completa em casamentos e confraternizações em geral. Festas particulares apresentações em bandas”, relembra. 

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Cantor e músico Flávio Hiram 

Por algum tempo a esposa manteve as despesas de casa, mas hoje, um ano depois do começo da pandemia e sem grandes perspectivas de retomada de apresentações, Flávio está trabalhando como motorista de aplicativo. “Ano passado quase entrei em depressão por conta de não estar atuando em minha profissão e sem poder levar o sustento de cada dia pra casa”, lamenta. 

 

Mesmo em uma nova profissão, Flávio diz que a situação econômica não está fácil, pois as condições de trabalho nesse ramo não permitem bons ganhos.”Antes tinha os shows toda semana e o dinheiro entrava com certo fluxo”. A lição que ele tira desse momento é que é preciso se resguardar, fazer uma poupança e administrar melhor a carreira. A esperança de que tudo vai voltar ao normal é grande, tão grande quanto a saudade dele dos palcos. “Queremos que tudo isso acabe logo para voltar a trabalhar com o que gostamos levando alegria e felicidade para todos”. 

 

Saudade também é uma palavra usada pelo cantor e músico Anderson Richards, vocalista do grupo Mr. Gyn. Ele vive uma situação um pouco diferente de Flávio, já que já andava dividindo suas atividades como artista com uma nova profissão, a de consultor financeiro. 

 

Durante a pandemia, ele se viu até mesmo com certa vantagem dos colegas, mas não esperava ter que parar definitivamente. “Eu sinto falta dos shows, mas a assessoria financeira acabou de ocupando muito o tempo”. Anderson ressalta que mesmo com o distanciamento social ele e seu grupo fez questão de não parar. Apostaram nas lives e no momento de uma pequena flexibilização nas medidas de distanciamento social, também puderam fazer algumas apresentações. “Nós nunca paramos de cantar. Fomos fazendo do jeito que era possível através das lives. E sabemos que logo vamos voltar”. 

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Cantor e cosnultor financeiro Anderson Richards 

Dedicação ao público 

A música goiana tem seus ídolos e com certeza a cantora Maria Eugênia é um desses artistas iônicos. Durante a pandemia ela decidiu se dedicar ao universo virtual para continuar oferecendo arte ao seu público em um momento de perdas. “Foi um impacto muito grande para nós com shows cancelados de um dia para o outro. Eu já vinha me atualizando nas redes sociais, foi um certo alívio tanto financeiro quanto emocional”, explica. 

 

Comemorando 30 anos desde o primeiro CD gravado, Maria Eugênia diz nunca ter passado por um momento assim. No entanto, com sua credibilidade e qualidade, conseguiu trabalhos como lives para empresas, eventos on-line, e descobriu um campo novo que explorou com profissionalismo e dedicação.”Além disso, divulgo meus trabalhos, fico em contato com meu público e encontro novos públicos”, pontua ao lembrar, que “nada substitui o palco e a mágica da interação que a arte proporciona”. 

 

Ela se adaptou aos novos tempos e se empenha na atualização de redes sociais como YouTube, onde tem colocado seus CDs antigos. “Não dá tempo de sentar e chorar. Muitos músicos que têm o trabalho da noite como sustento estão tendo necessidades básicas, é hora de quem está em pé ajudar quem está numa situação pior”. 

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Cantora Maria Eugênia

Foi exatamente isso que o músico, cantor, compositor, poeta e humorista, Xexéu fez. Assim como os colegas, ele viu sua agenda ser cancelada e a esperança de retorno aos palcos cada vez mais longe. Sentindo na pele as mudanças e vendo os amigos enfrentarem problemas de sustento básico, ele criou o projeto “Adote a Arte”. Através do boca a boca e sem burocracia ele começou a reunir donativos como alimentos e produtos de limpeza e higiene pessoal e entregar para artistas e profissionais afetados pela crise pandêmica. 

 

“Existe uma gama de profissionais que dependem do nosso trabalho também, são os seguranças, garçons, cozinheiros e queremos ajudar a todos”, detalha. Há um ano ele consegue organizar uma distribuição de cerca de 150 cestas por mês e sempre com produtos diferentes. “Às vezes conseguimos proteína, outras vezes produtos de higiene pessoal, nem sempre os kits são iguais ao do mês anterior”. 

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Cantor, compositor, poeta e humorista Xexéu 

Para Xexéu, a alegria dele nesse momento é poder contribuir e ver que algumas dessas pessoas que já precisaram de ajuda, conseguiram sair da situação mais crítica. “A informalidade é uma característica muito presente nesse ramo. Muitas vezes as pessoas não pagam o INSS, por exemplo, e não ficam resguardadas em nada”, ressalta. 

 

Os interessados em colaborar com a iniciativa podem fazer uma doação de qualquer quantia através da chave Pix ( 62 9 9972-0823 – Roberto Célio Pereira da Silva – Banco Itaú)  ou diretamente na APCEF (Clube da Caixa Econômica Federal) que fica situada à Av. T-1 com T-4 no St. Bueno, de segunda a sexta-feira das 8h às 17h.

 

Além da campanha, que é um alento e ocupação para Xexéu, ele também realiza lives e usa a internet para manter contato com seu público e sua arte. “A arte tem uma função terapêutica muito importante para as pessoas”, finaliza.  

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Fotos: Reprodução e Divugação 

Teatro SESI reúne músicos goianos em homenagem a Gonzaguinha

O show da Claudia Garcia “Gonzaguiando” entre amigos vai embalar as composições do imortal poeta e músico: Gonzaguinha, que este ano completaria 70 anos. Vários artistas da música goiana, como Xexeu, Walter Carvalho, Bruna Mendes, além de artistas plásticos, bailarinos…. Verdadeira comunhão das Artes, que ocorre nessa terça-feira, dia 20/10, no Teatro Sesi (Santa Genoveva), em Goiânia. A entrada é gratuita. 

 

Claudia Garcia

Cláudia

Claudia Garcia em apresentação de “Gonzaguiando”

 

Cláudia Garcia formou-se em Música na Universidade Livre de Música Tom Jobim, dedicando-se ao aperfeiçoamento da técnica vocal, percepção musical, história da música e prática de conjunto.  Coordenou atividades musicais no Conservatório Musical Frédéric Chopin, herdado de sua mãe. Ao acumular experiências, interessou-se mais pela interpretação de músicas brasileiras do estilo MPB / Bossa Nova.

Em São Paulo, onde nasceu, cantou em casas noturnas como Vou Vivendo, Opus 2004, Centro Cultural SP, Inverno e Verão, SESC – Pinheiros, Supremo Musical, Passatempo – Bar (Programa Flash Amaury Jr.), All of Jazz (na capital paulista). Há cinco anos reside em Goiânia, tendo se apresentado no Programa Frutos da Terra, Omelete Mix – Deck, Feira dos Municípios (Centro de Convenções), Café de La Musique e eventos particulares.

 

Programe-se

Cláudia Garcia “Gonzaguiando” entre amigos

Data: 20/10

Horário: 20h

Local: Teatro Sesi

Endereço: Avenida João Leite, nº 1.013, Setor Santa Genoveva

Entrada franca!