Cidade de Goiás: Procissão do Fogaréu pode virar Patrimônio Cultural do Brasil

O pedido aguarda o posicionamento da Câmara Setorial do Patrimônio Imaterial

Fernanda Cappellesso
Por Fernanda Cappellesso
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As Procissões da Semana Santa da cidade de Goiás, entre elas a  Procissão do Fogaréu, estão em processo de registro como Patrimônio Cultural do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). A documentação encaminhada ao órgão em 2020, já teve a análise técnica preliminar da superintendência em Goiás. O pedido aguarda o posicionamento da Câmara Setorial do Patrimônio Imaterial, grupo vinculado ao Conselho Consultivo que é  responsável pela decisão sobre os processos de reconhecimento dos bens de natureza imaterial. 

 

Na quarta-feira,  13 de abril, durante a Procissão do Fogaréu, que foi retomada presencialmente após dois anos de eventos virtuais, o escritório técnico do Iphan na Cidade  de Goiás fará a recepção de autoridade no local para o acompanhamento e avaliação da Procissão. Além disso, o órgão irá  reforçar as informações para os turistas sobre o evento e a importância dele para a cultura brasileira. 

 

A encenação da Procissão do Fogaréu de Goiás, conforme Dossiê Etnográfico do Inventário de Referências Culturais (INRC) realizado pelo Iphan, foi reintroduzida nas celebrações da Semana Santa em 1965, por iniciativa da Organização Vilaboense de Artes e Tradições (OVAT). A cerimônia se alimenta de valores e de memórias que permeiam a realidade cultural dos vilaboense, pois rementem às vivências das diversas procissões que ocorrem nas celebrações da Semana Santa em Goiás.  

 

A Procissão encena a perseguição a Jesus por seus inimigos, antes de ser preso e crucificado, segundo a tradição católica. No formato atual, esses inimigos são representados por farricocos, homens descalços, vestidos com túnicas e encapuzados, portando tochas acesas. O trajeto começa na frente da Igreja da Boa Morte, passando pelas Igrejas do Rosário e de São Francisco de Paula, tendo seu ritmo ditado pela fanfarra que, com diferentes tipos de toques, impõe a marcha dos farricocos. A encenação ocorre sempre à meia noite da Quarta-Feira de Trevas e é um dos símbolos que representa a cidade para os seus visitantes. 

 

As atividades da Semana Santa envolvem a população em torno da crença e das tradições religiosas do calendário católico. O INRC elenca a Semana como uma das referências culturais mais significativas do município. “São eventos voltados ao catolicismo, mas com expressões religiosas, culturais africanas e indígenas, num processo de hibridismo religioso. São nesses valores católicos, afrodescendentes e indígenas, próprios das manifestações populares, que compõem a construção cultural da sociedade brasileira”, explica a historiadora do Iphan-GO, Renata Galvão.  

 

Atraindo milhares de turistas para a cidade, as celebrações religiosas com missas, vigílias, via sacras e outras procissões ocorrem desde o mês de março, com o início da Quaresma, Semanas dos Passos e das Dores. 

Reconhecimentos 

 

O município de Goiás, antiga capital do estado, possui o conjunto arquitetônico, paisagístico e urbanístico tombado pelo Iphan em 1978 e o reconhecimento como Patrimônio Mundial, pela Unesco, desde 2001. “Milhares de turistas e religiosos que vão à cidade todos os anos para acompanhar as procissões, além de valorizarem a cultura e a tradição realizada há anos, buscam um momento de fortalecimento da fé e união. Quando for aprovado o título para as Procissões da Semana Santa de Goiás, a cidade terá o primeiro reconhecimento de Patrimônio Imaterial do governo federal”, completa o superintendente.